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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Movimentos de Espera



O relógio marca a hora da chegada, a hora da partida, dos encontros e das despedidas. Marca o horário em que a terra pulsa, como que despertada, num susto, de um sono profundo. A hora em que pensamentos distraídos retornam ao tempo presente, e que pensamentos concentrados se distraem no fluxo de um movimento. Mas antes disso há sempre alguém que espera.
A espera não ‘é’, a espera ‘acontece’. Não esperamos as horas passarem, passamos as horas. Logo, a espera é movimento. Cada pessoa espera de um jeito diferente: lendo, escrevendo, desenhando, viajando em pensamentos, olhando sem ver ou inventando o próprio olhar.
Durante algumas décadas a estação férrea de Santa Maria foi o alimento de esperas. Enquanto aguardavam o fatídico horário do trem, pessoas esperavam. Hoje já não há espera de passageiros, mas o trem continua a passar. Justifica-se essa proposta pela possibilidade de que a lembrança de uma experiência comum no passado da cidade possa nos fazer produzir outros sentidos para um presente agitado onde, normalmente, a espera nos entedia. (Tamiris Vaz)


Evento Internacional Arte#ocupaSM  -  29.05 a 02.06.2012
Grupo de Pesquisa em Arte: Momentos-Específicos
Coordenação Profa. Dra. Rebeca Stumm (UFSM).

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Depois da chuva

           

    
“Gosto muito de apanhar do chão castanhas, velhos farrapos, sobretudo papéis. Sinto prazer em pegá-los, fechá-los em minhas mãos; por pouco não os levo à boca, como as crianças fazem. (...) Durante o verão ou no início do outono encontram-se nos jardins pedaços de jornais crestados pelo sol, ressecados e quebradiços como folhas mortas, tão amarelos que se poderia imaginar que tivessem sido mergulhados em ácido pícrico. No inverno outras folhas de papel mostram-se pisadas, maceradas, maculadas: retornam à terra. Outras ainda, muito novas e até brilhantes, muito brancas, palpitantes, estão pousadas como cisnes, mas por baixo a terra já as agarra. Torcem-se, arrancam-se da lama, mas só para cair um pouco mais adiante, definitivamente. Tudo isso é bom de pegar. Às vezes simplesmente as apalpo olhando-as bem de perto; outras vezes rasgo-as para ouvir sua longa crepitação, ou então, se estão muito úmidas, ateio-lhes fogo, o que não é fácil; depois limpo as palmas das mãos cheias de lama numa parede ou num tronco de árvore.” (A Náusea – Jean-Paul Sartre)
Desenhar, recortar, colar, inventar, distribuir, pegar, perguntar, rasgar, jogar fora, guardar... não se trata apenas de papel, mas de estar vivo e vivendo...