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domingo, 5 de abril de 2015

Video dos Movimentos de Espera na Mostra IP


Nosso registro da intervenção "Movimentos de Espera", realizada em Santa Maria na primeira edição do evento Arte#ocupaSM, foi selecionado para a Mostra IP de vídeos, organizada pelo Coletivo Camaradas, em diversos locais do Brasil, de 8 a 11 de abril de 2015. Mais informações sobre os locais da mostra e seus demais participantes em mostraip.camaradas.org 

sábado, 23 de julho de 2011

degust[ação]


Relato por Tamiris Vaz

Não é uma intervenção do (Des)Esperar, mas vale o relato, ja que alguns dos integrantes fizeram parte dela.
Diferença, autobiografia, lugar, rizoma, enunciado... alguns conceitos que nos instigaram a buscar uma forma de compartilhar pensamentos, ideias, indagações, ações. Degustar conceitos como quem experimenta o mesmo doce favorito, mas que a cada mordida se vê envolvido por algo novo, por uma insaciedade que só aumenta.

 
Bolachinhas com desenhos de Tamiris Vaz 
Bolachinhas com desenhos de Fábio Purper Machado
Bolachinhas de Francieli Garlet
Bolachinhas de Simone Rosa
Bolachinhas de Vivien Cardonetti
Degustar não é como realizar uma refeição completa, onde nos sentimos satisfeitos e por vezes até mais do que saciados. Degustar é experimentar algo que nos deixe com gosto de ‘quero mais’, com a angústia de algo que não se faz por completo e por isso trazendo a vontade de provar outros sabores.
Degust[ação] como a ação de degustar conceitos, de inquietar para a ação.
Muitas interrogações espalhadas pelo chão, pela mesa, pelas estantes e módulos e outra grande em nossos pensamentos: Será que haverá participação? Essa é sempre um perigo que se corre quando proposto um trabalho artístico que pede do público mais que contemplação. Ele tem o direito de não se interessar e não participar.

      

No caso dessa intervenção, havia um incentivo para que houvesse essa participação, aliás, pelo menos 320 motivos, produzidos um a um, por nossas mãos, mentes e interrogações de artistas/pesquisadores. Bolachinhas de madeira, coloridas, que traziam imagens e conceitos para servirem de dispositivos para a invenção de outros, sempre como questionamento, nunca como resposta acabada.
Na tarde de sábado (9 de julho), a partir das 15 horas, começamos a convidar cada pessoa que parava e olhava o trabalho, para que fizesse sua participação. Ela escolheria uma de nossas bolachinhas de conceitos e, em troca, deixaria um outro questionamento no lugar.

   

Algumas das perguntas do público
   

As interrogações de nossas mentes transformaram-se em largos sorrisos: Sim, houve participação. Algumas participações apressadas, uma pergunta qualquer em troca da primeira bolachinha avistada, sem muito interesse a não ser o de levar um brinde para casa. Outras participações demoradas, pessoas que dedicaram um tempo considerável de sua tarde de lazer para ler calmamente quase todas as perguntas antes de decidir-se por uma. Alguns tentando levar mais de uma, outros saindo e retornando com amigos, outros também se negando a participar. Houve crianças interessadas junto a pais apressados e também pais interessados junto a crianças impacientes. Pessoas que vinham em grupos e outras que vinham sozinhas. Pequenos, adultos e velhos.
Foi muito bom perceber que pessoas dedicaram um pouco do seu tempo para experimentar algo inusitado surgido em seus caminhos, deixaram sua marca anônima em troca da nossa.

domingo, 5 de junho de 2011

Algumas considerações sobre a Bienal da UNE


Estivemos por algum tempo aguardando as respostas do público. As respostas demoraram... e continuamos esperando... Irônico, não? Justo o (Des)Esperar!!
Mas, enfim, percebemos que as respostas não viriam mais.
Ficamos tristes...
As pessoas interagiram com o trabalho, conversaram conosco, colheram os frutos, leram, sorriram, fotografaram, mas... nada enviaram.
Esse acontecimento nos fez repensar o sentido de um trabalho que se pretenda relacional. Que relação queremos que aconteça? A relação da experiência ou uma resposta futura? A quem interessam essas respostas? A nós, artistas? E o público, está também interessado? Quer enviar fragmentos de sua vida pra um grupo de estranhos divulgar na internet?
O quanto as pessoas, ja cheias de seus milhares de compromissos, estão dispostas a assumir um compromisso a mais de selecionar, ou ainda fotografar algo significativo e enviar, sem saber ao certo no que resultará?
Em alguns momentos, sim, pessoas se dispõem e são muito felizes com esse trabalho. Exemplo disso foram as belas participações do público, por email, à proposta “Aquilo que se bebe em xícara translúcida”. Mas cada caso é um caso. No caso do Macondo Circus, realizávamos um trabalho em nossa cidade de atuação e quem participava sabia para onde ía sua participação.
Ao propor um trabalho artístico que busca a interação com o público, devemos estar abertos aos imprevistos, às participações diferenciadas ou mesmo à negação em participar. Participação houve, e muita, o que não houve foi o retorno. Ficamos frustrados por não saber o que foi feito dos frutos colhidos na Bienal da UNE, por não saber por quem foram plantados, em que terreno, e que tipo de plantas geraram.
Penso ainda se essa necessidade do retorno não seria reminiscência daquela educação doutrinária a que todos fomos submetidos, onde, ao professor, não bastava ensinar, era preciso ainda monitorar as formas como os estudantes receberam o conteúdo e o reproduziram.
É fato que nossas intervenções não são realizadas no intuito de educar, embora sejamos todos educadores, mas é fato ainda que educamos e somos educados com as imagens que encontramos e produzimos em nossas vidas cotidianas.
Com isso, quero apenas dizer, que depois de tudo, fico feliz em perceber que nem sempre as coisas seguem o rumo que planejamos e que, por vezes, decidimos pulverizar uma ‘boca-de-leão’, mesmo sabendo que com isso, nunca mais veremos novamente sua forma completa. Mas temos a certeza de que, em algum lugar, outras plantas nascerão e que a própria experiência de soprar pode valer mais do que a espera de, no futuro, algo grandioso colher.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

De que samba você bebe? Primeiras impressões

    

    

Coletivo (Des)Esperar na 7ª Bienal da UNE

Para a Mostra CUCA da 7ª Bienal de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes, ocorrida entre 18 e 22 de janeiro de 2011 na cidade do Rio de Janeiro, projetamos uma trepadeira de papel com frutos a serem colhidos, e dentro destes, um convite à participação no trabalho, respondendo, através de uma fotografia enviada por e-mail, a questão “De que samba você bebe?”


 
Entre os elementos estéticos pesquisados pelo coletivo, as formas vegetais oriundas da pesquisa individual em desenho e cerâmica de Tamiris se fazem presente nos trabalhos através da criação em papel pardo ou mesmo da apropriação de trepadeiras e cipós, numa contaminação dos ambientes onde trabalhamos. Num desses ambientes criou-se o Café com Monstros, que associava seres de formas grotescas (da pesquisa escultórica de Fábio) ao luxo do ambiente dos cafés (no caso em contraste com a estética de ruínas presente na gravura de Francieli). Deste café originou-se uma forte relação com a figura da xícara, predominante em trabalhos de 2010 como Santa Maria da Boca da Xícara (Bienal do Esquisito) e Aquilo que se bebe em xícara translúcida (Macondo Circus).

Esta proposta se assemelha ao segundo trabalho do coletivo, Cottiporaneus catacumbarium, realizado em 2009 na boate Catacumba (DCE-UFSM), também formado por trepadeiras, mas tendo dentro dos frutos reproduções de desenhos nossos, o que encerrava o trabalho nesta distribuição. Também a planta não tinha uma raiz definida, nem uma boa área de abrangência, sendo ofuscada pelas outras atividades ocorridas no evento em questão. Para a Bienal da UNE, utilizamos como fonte da trepadeira a xícara translúcida da intervenção anterior, feita de tubos de pvc e um plástico transparente.

  

Tendo como referência os conceitos de contaminação e de arte relacional, pretendemos que este trabalho não tenha terminado junto ao evento, mas que continue gerando frutos, fazendo crescer uma planta composta de diversidade e persistência, de uma união que não amarra, mas produz sementes, que por sua vez, geram novos frutos. A participação do público já foi iniciada na coleta destes, agora esperamos o retorno fotográfico solicitado, a fim de que a planta cresça em novas direções e dimensões.

Algo que buscamos com esse trabalho é a criação de um caldeirão imagético que percorra os diferentes significados do samba, tanto na música que incorpora elementos bahianos, cariocas, paulistas, quanto na mistura de cachaça ou vodka com refrigerante, quanto as possíveis respostas a virem de quatro cantos da América Latina, assim como de artistas presentes no evento que receberam o fruto pessoalmente, como Martinho da Vila, Cacá Diegues e Carlos Lyra.


 



Abaixo, a notícia no caderno Plus do jornal O Correio, de Cachoeira do Sul
(meio deslocado no contexto, mas é o espaço que se consegue com a mídia...):



Outros Plus disponíveis em http://symptomamundi.blogspot.com/p/plus.html


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

De que samba você bebe?



O Coletivo (Des)Esperar realizará, na próxima semana, uma intervenção urbana como participação na 7ª Bienal de  Arte e Cultura da UNE, que esse ano acontecerá no Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro.
O trabalho DE QUE SAMBA VOCÊ BEBE? é uma proposta relacional que busca dialogar tanto com o tema da bienal quanto com as bagagens pessoais dos participantes do evento, promovendo uma continuidade que será apresentada neste blog como reverberação das reflexões levantadas durante a bienal.

Maiores informações sobre o evento, acesse www.une.org.br
www.bienaldaune.org.br